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(Lusa) Dispositivos médicos: Especialista alerta para riscos de reutilização por motivos económicos

Lisboa, 19 Jun (Lusa)
A presidente da Associação de Enfermeiros de Salas de Operações alertou hoje para os perigos da reutilização de dispositivos médicos de uso único e mostrou-se preocupada com decisões que possam ser tomadas com base em medidas economicistas. “Eu espero, esperamos todos, a bem do doente e dos profissionais, que não se estejam a reprocessar dispositivos médicos de uso único, porque não há garantia de assegurar ao doente que estamos perante um dispositivo novo”, disse à Lusa a enfermeira Mercedes Bilbao. A propósito da conferência sobre dispositivos médicos e o seu reprocessamento, que decorre na quarta-feira no Infarmed, a enfermeira esclareceu que atualmente não há informações sobre o reprocessamento indevido destes dispositivos em Portugal.
“É precisamente para evitar que isso venha a acontecer que estamos agora a lançar este debate”, adiantou.
Alguns dispositivos médicos – como os utilizados no sector do ritmo cardíaco (pacemakers e cardiodesfibrilhadores), da urologia ou cirurgia laparoscópica – têm determinadas características e complexidades que não permitem o seu reprocessamento. Há alguns meses, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denunciou a reutilização de alguns destes dispositivos, tendo prometido uma investigação sobre o caso.
A presidente da AESOP recorda que, “no âmbito da crise e do reaproveitamento dos recursos existentes, começou-se a falar da possibilidade de reprocessar alguns dispositivos médicos para uma economia de recursos”. “Essa discussão começou agora a surgir no âmbito da crise e estamos preocupados, como profissionais de saúde, que se tomem decisões só com base em medidas economicistas”, afirmou.
A posição desta associação vai no sentido da legislação ser cumprida.
“Estamos preocupados porque [a reutilização de dispositivos médicos de uso único] representa um perigo para a população e os seus utilizadores”, afirmou.
O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Dispositivos Médicos , Humberto Costa, disse à Lusa que esta organização não se opõe a que estes dispositivos sejam reutilizados, mas “desde que, depois de reprocessados, surjam no mercado com as mesmas garantias que têm quando são colocados pela primeira vez”.

SMM. Lusa/Fim

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Última actualização em 2019-06-12