Home CONTACTOS EORNA LINKS LOJA

Pesquisa

Newsletter

introduza o seu email e subscreva a nossa newsletter

CIRURGIAS SEM ENFERMEIROS?
É COMO SER CONDUZIDO NUM AUTOMÓVEL COM ACELERADOR MAS SEM VOLANTE, SEM TRAVÕES E SEM CINTO DE SEGURANÇA! EU NÃO, OBRIGADA!

Como cidadãos, quando nos propõe uma intervenção cirúrgica para melhorar, controlar ou atenuar uma doença ou sintomas, esperamos que esta agressão, que consentimos, seja para um bem maior. Por isso confirmamos a aceitação do procedimento, os resultados esperados, os riscos previstos e escolhemos entre as alternativas terapêuticas disponíveis.

 

Mas teremos consciência de quem precisamos para sermos operados?

 

Há muitos anos que os enfermeiros que trabalham nos blocos operatórios, se juntaram para ter uma voz crítica e de afirmação dos deveres profissionais como a Associação dos Enfermeiros de Sala de Operações Portugueses (AESOP) e procuram divulgar o que  é essencial para cada pessoa que vai ser operada, explicar como vai ser a sua experiencia cirúrgica e o que se deve esperar de cada um dos enfermeiros aí presentes, os Enfermeiros Perioperatórios.

 

Todo o processo da experiência cirúrgica do doente implica compromisso consciente, participação ativa na preparação, na segurança e na prevenção da infeção, na adesão às recomendações, ao controlo da dor e à recuperação pós-operatórias, condições para atingir ganhos em saúde.

 

Se esta informação é fundamental e obrigatória antes de sermos operados, também é importante saber e contar com todos os profissionais que nela intervêm: o cirurgião que tem o primeiro contacto com a pessoa e que nos propõe uma cirurgia; o anestesiologista, que nos apresenta a estratégia anestésica e de controlo da dor pós-operatória; os enfermeiros perioperatórios que nos acompanham em todo o percurso pré, intra e pós-operatório e que são a garantia de segurança, quando estamos vulneráveis.

 

São os Enfermeiros Perioperatórios que preparam e verificam o ambiente, equipamento e materiais e nos acompanham, antes de entrarmos na sala de operações, durante toda a intervenção cirúrgica e na recuperação imediata; são eles que nos garantem a segurança, nos substituem nas necessidades básicas, nos ajudam a controlar a ansiedade, o desconforto, o frio, a dor, a infeção, a medicação segura e outros riscos associados a qualquer procedimento. No fundo, advogam em nosso favor, pela nossa causa, enquanto intervêm como enfermeiro circulante, de anestesia, instrumentista e de recobro.

 

Será aceitável ou possível, cirurgias sem a sua presença e intervenção junto de cada um de nós? Quem vai lá estar a garantir um processo contínuo, integrado, eficiente e seguro?

 

Quem são os profissionais que podem substituir os enfermeiros?

 

Todos os profissionais que intervêm nos procedimentos podem responder pelos seus atos, para os quais são competentes, mas sem o conhecimento e prática sistemática dos cuidados de enfermagem, como podem ser chamados a intervir junto de nós?

 

Para cada cirurgia todos somos necessários uns e outros, e não uns ou outros.

É por isso um trabalho de equipa, interdisciplinar, com objetivos comuns, em que cada um  contribui na sua área de competência.

 

Pode-se operar sem anestesia? E sem enfermeiros perioperatórios? A prevenção de riscos, o controlo de infeção e a segurança cirúrgica, há muitas décadas que tornaram este campo da enfermagem especializada e insubstituível.

 

 

E a nós enfermeiros perioperatórios? Que reflexão nos trazem estes dias difíceis?

 

Independentemente da situação atual de uma greve dura e provavelmente difícil de entender para quem precisa de nós, vem-nos à memória tentativas anteriores de substituir os enfermeiros por outros profissionais ou, nem isso, por contratados indiferenciados e sem qualquer preparação. Lembramos, em 2004, quando uma nova legislação da gestão hospitalar, colocava em causa a segurança dos doentes e de uma população inteira, ao procurar substituir os enfermeiro circulante  (do bloco operatório). Muito se escreveu e batalhou até se evitar essa medida irracional.

 

Hoje, são de novo os administradores hospitalares que vêm propor cirurgias sem enfermeiros, na sequência de uma greve que dura há demasiado tempo. E propõe a outro grupo profissional, os médicos que os substituam, quando, nesta área, não têm competência nem legitimidade para o decidir. Aliás, sendo cada uma destas profissões reguladas e autónomas, os respetivos profissionais são obrigados a seguir os códigos de conduta e regulamentos que salvaguardam o exercício legal da profissão.

 

 

Curioso seria utilizar os mesmos critérios para os demais grupos profissionais que, hoje mesmo, também se encontram em greve; o que impedia então substituir juízes  por advogados, guarda-freios por condutores de veículos pesados, guardas prisionais por bombeiros, etc...?

 

 

Em nenhuma parte do mundo civilizado, se realizam cirurgias sem a presença de enfermeiros!

 

Apelamos para que, em cada bloco operatório, os enfermeiros chefes/gestores, os enfermeiros da prestação de cuidados, afirmem e subscrevam:

 

 

#NoBlocoOperatorioNinguemEOperadoSemEnfermeiros_

 

 

E, mais uma vez, Cirurgias sem enfermeiros?

Ser conduzido num automóvel com acelerador 

mas sem volante, sem travões e sem cinto de segurança! 

Eu não. Nem obrigada!

 

 

 

Lisboa, 10 de dezembro de 2018

 

 

Mercedes Bilbao

Enfermeira Especialista em Enfermagem de Reabilitação

Enfermeira Perioperatória

Presidente da AESOP 

Voltar Imprimir O seu email n�o � valido
2011 © AESOP - Todos os direitos reservados  |  Powered by Leading
Última actualização em 2019-05-22